Os Bárbaros: crimes brutais cometidos contra crianças em Natal

Extraído de: Nominuto.com   Maio 17, 2009

Casos Maria Luiza e Maisla fizeram lembrar do "maníaco da bicicleta", que confessou ter molestado 13 meninas, inclusive assassinado duas delas, há 10 anos.

Dois assassinatos brutais em menos de um mês faz a sociedade natalense se perguntar: onde vamos parar? As mortes de Maria Luiza Fernandes, no dia 21 de abril, e de Maisla Mariano dos Santos, nesta terça-feira (12), não possuem nenhuma ligação criminal, mas ficarão pra sempre marcadas na crônica policial do Rio Grande do Norte pela crueldade e covardia com que suas vidas foram tiradas.

Os casos até fizeram lembrar um passado não muito distante, quando o "maníaco da bicicleta" aterrorizou Natal, no ano de 1999, ao molestar 13 garotas, assassinando duas delas. Misael Pereira da Silva foi preso e confessou os crimes. Ao contrário dele, três homens foram detidos recentemente acusados de cometerem barbaridades, dois pela morte de Maria Luiza e um pelo assassinato de Maisla, mas ainda não tiveram a coragem de assumir o ato de crueldade.

A menina Maisla Mariano, de 11 anos, apontada por todos como meiga e uma filha exemplar, foi raptada e morta sem qualquer chance de defesa. A polícia acredita que a estudante sequer pôde gritar ao ser abordada pelo criminoso. Maisla empurrava sua bicicleta que estava com a corrente quebrada, quando foi vista pela última vez.

No local onde os moradores encontraram a bicicleta dela, havia marcas de sangue o que indica que ela pode ter sofrido uma forte pancada ali mesmo. Depois disso, ainda não se sabe onde e como o responsável pela barbárie tirou a vida da criança. O que se sabe é o resultado de uma tragédia.

De acordo com o Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep), Maisla foi violentada sexualmente, esfaqueada pelo menos 31 vezes, só no lado direito do tórax e, em seguida, teve seu corpo divido em 11 partes.

De acordo com os legistas, o criminoso se utilizando de uma faca cortou a cabeça, os ombros e dividiu os braços em duas partes, na altura dos cotovelos. Já o tórax foi cortado na altura do umbigo, sendo divido em duas partes, das costelas para cima e até a metade do fêmur. Além disso, o homicida também dividiu as pernas em duas partes, cortando um pouco abaixo dos joelhos.

Confira infográfico

Tudo isso aconteceu no intervalo entre o meio dia da terça-feira (12) e a manhã da quarta-feira (13), quando as primeiras partes do corpo foram encontradas em um terreno baldio na rua Dona Izabel de Brito Lima, em Igapó. O esquartejador até parece que queria que cadáver realmente fosse encontrado. Isso porque ele não fez muita questão em esconder e, após dividir em três sacos plásticos, jogou as partes em dois terrenos de uma área bastante movimentada.

O suspeito e seu passado
A expressão "seu passado lhe condena" literalmente pode ser usada para caracterizar o principal suspeito de ter matado a menina Maisla Mariano. Fichado na polícia de vários estados, o vendedor ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar, de 54 anos, foi preso na tarde de quinta-feira (14), escondido em uma casa de praia na Redinha.

Ele morava próximo a estudante e chegou a freqüentar a mesma igreja que ela. Osvaldo foi expulso da Adventista do 7º Dia no ano de 2006, acusado de tentar se envolver com crianças da congregação. Depois disso, ele continuou freqüentando o local esporadicamente e mantinha contato com alguns fiéis.

O que ninguém da região sabia era que Osvaldo Pereira estava foragido em Natal. A ficha policial do vendedor ambulante só foi levantada depois que o corpo da estudante foi encontrado.

"Nós temos dois mandados de prisão contra ele, um de Roraima e outro de Rondônia. Então, por esses dois motivos ele deverá continuar preso. Também descobrimos que ele era foragido do presídio de Rondônia", disse a titular da Delegacia da Criança e do Adolescente, Adriana Shirley.

Além disso, o Nasemana ainda apurou que Osvaldo Pereira era procurado nos estados de Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Paraná e, inclusive, já havia sido condenado por atentado violento ao pudor no Amapá.

Confira abaixo entrevista com Osvaldo Pereira de Aguiar

Depois de preso, Osvaldo Pereira não confessou ter assassinado Maisla Mariana e seu advogado, Araken Farias, destacou que seu cliente tem um álibi. "Ele alega que na hora do desaparecimento da menina estava trabalhando. Com isso, não tem participação na morte da menina", frisa.

Se é responsável pelo crime ou não, o tempo e as investigações irão confirmar. Mas, pelo passado do suspeito e por morar próximo ao local onde Maisla desapareceu a polícia tem fortes indícios de que ele cometeu o homicídio. Nos próximos dias, a delegada Adriana Shirley deverá solicitar um mandado de prisão temporária para Osvaldo, referente à morte da menina. Mais um para o currículo do vendedor ambulante.

Maria Luíza
O caso da estudante Maria Luíza Fernandes, de 15 anos, está mais próximo de ter um desfecho. Nesta semana, a delegada Adriana Shirley que também está a frente deste caso informou que ouviu um dos suspeitos. "Nós tínhamos prendido dois no sábado [9]. Eu já peguei o depoimento de um e, apesar dele ter negado, temos fortes indícios contra ele. O segundo ainda vamos ouvir".

A delegada informou que, inclusive, pediu a prorrogação do mandado de prisão de um dos suspeito, cuja identidade não foi revelada, por mais 30 dias. Maria Luiza Fernandes desapareceu no dia 21 de abril quando saiu de casa no Bom Pastor para ir a uma lan house encontrar com o namorado.

Seis depois do desaparecimento, seu corpo foi encontrado em um lixão do Jardim América, zona Oeste de Natal. Ela estava totalmente despida, com uma camisa enrolada ao pescoço e um pedaço de madeira penetrado na região genital da estudante, o que caracteriza abuso sexual. A menina era torcedora do América e a camisa do clube foi a mesma utilizada para estrangular Maria Luíza.

Pedofilia: psicóloga alerta pais para ficarem atentos aos sinais

Os assassinatos brutais das estudantes Maria Luíza Fernandes, de 15 anos, e Maisla Mariano dos Santos, de 11, abusada sexualmente e esquartejada, estarreceram a sociedade e fez acender, novamente, o sinal amarelo de alerta à pedofilia e ao abuso sexual de crianças e adolescentes.

Especialista e mestre em psicologia pela UFRN, Ana Karina Azevedo diz que, "infelizmente, os casos de abuso sexual infantil são cada vez mais crescentes e subregistrados. A psicóloga alerta aos pais e responsáveis para ficarem muito atentos. De acordo com ela, há uma série de sinais que os pedófilos costumam apresentar. "A principal característica é a gratificação. O pedófilo geralmente oferece doces, presentes, dinheiro e também convidam para ir na casa dele ver filmes, desenho, diz.

A psicóloga lembra que a abordagem do pedófilo é sutil e que nem sempre ele tira proveito da vítima no primeiro contato. Ela frisa, ainda, que nem sempre o ato sexual é concretizado. Há adultos que sentem prazer apenas em mostrar a genitália ou em ver a criança sem roupa, ou até mesmo em ter objetos pertencentes à criança.

A criança que sofre abuso sexual também apresenta sinais bem característicos. "Os pais e professores devem desconfiar ao perceberem na criança qualquer mudança brusca de comportamento. É preciso saber identificar o abuso e denunciar", diz a psicóloga.

A pedofilia é um tema difícil para a sociedade e um desafio para os profissionais que estudam esse tipo de psicopatia. Não existe, na literatura médica, cura para a doença. O pedófilo, de acordo com Ana Karina Azevedo, tem dificuldade em controlar os desejos sexuais, que podem vir associados a outras violências, como o sadismo e o masoquismo. Outra característica da psicopatia é a ausência de remorso.

O caso de Misael Pereira da Silva, que confessou ter molestado, entre 1998 e 1999, 13 meninas em Natal, assassinando duas delas, é bem ilustrativo. Quando foi preso, ele disse que "seu maior prazer era ver as meninas agonizarem".

E o que fazer com gente como Mizael e o assassino de Maisla? "Essas pessoas têm que ficar reclusas em hospitais psiquiátricos penitenciários sendo acompanhadas e tratadas pelo resto da vida", responde Ana Karina Azevedo. É possível a reintegração à sociedade? Será que mesmo com o tratamento não existe mais o desejo? Será que ela não vai voltar a cometer o mesmo crime? "Acho que não se deve correr o risco", finaliza a psicóloga.

Há 10 anos, natalenses conheciam "O Maníaco da Bicicleta"

Na noite do dia 12 de abril de 1999, uma segunda-feira, a população assistia aliviada e ao mesmo tempo estarrecida e revoltada à revelação de uma série de crimes sem precedentes contra meninas em Natal.

Nesse dia, após ser dominado por moradores do conjunto Soledade II, na zona Norte, e entregue à polícia, o auxiliar de serviços gerais da Parmalat, Misael Pereira da Silva, de 30 anos, revelou ter molestado 13 garotas, inclusive assassinado duas delas.

O caso completou no mês passado dez anos e voltou a ser lembrado após os recentes assassinatos das meninas Maria Luíza Fernandes, de 15 anos, e Maisla Mariano dos Santos, de 11.

Mas no caso de Misael, ele confessou os crimes. Sem apresentar qualquer sinal de remorso, falou à imprensa que "seu maior prazer era ver as meninas agonizarem".
Misael foi condenado a 94 anos de prisão, pena que cumpre na Penitenciária de Alcaçuz. Lá, o assassino, hoje com 40 anos, fica em uma cela isolada.

O diretor do presídio, Ailson Dantas, tem certeza que se os outros detentos tiverem contato com Mizael o matam, pois não toleram estupradores e assassinos de crianças.
Misael Pereira da Silva atraía as vítimas dando bichinhos de pelúcia da Parmalat e, com a desculpa de ir buscá-los, oferecia às meninas carona em sua bicicleta. Por esse motivo, ficou conhecido como o "maníaco da bicicleta".

A última vítima dele foi a menina Maranne de Oliveira Costa Fernandes, de 8 anos. Misael violentou e estrangulou a criança, encontrada morta no dia 11 de abril de 1999 em um terreno baldio. Logo depois, o assassino foi pego e revelou que agia desde 1998 e que tinha molestado 13 meninas. Frio, contou todos os seus crimes e reconheceu que era "um monstro".




 

 
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