CBF define o prêmio de R$ 1 milhão pelo título

Extraído de: Cruzeiro do Sul   Maio 27, 2010
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai oferecer cerca de R$ 1 milhão para cada um dos 23 jogadores da seleção caso o time conquiste o título mundial, o sexto da história do País. A premiação, embora expressiva, não causa grande impacto na situação da maioria dos atletas. Com exceção de Gilberto, que joga no Cruzeiro , e Kléberson, do Flamengo , os outros vivem a realidade do futebol europeu, com salários altamente atrativos.

No caso do Brasil há ainda um fator a ser levado em conta: a maioria atua em clubes de grande expressão da Europa, sempre envolvidos em decisões de campeonatos nacionais ou de torneios da Uefa. É o caso, por exemplo, de Julio Cesar, Maicon e Lúcio, recentemente vencedores com a Internazionale da Liga dos Campeões da Europa, o torneio mais charmoso, importante e lucrativo do planeta.

A arrecadação total de uma equipe finalista dessa competição beira os 65 milhões de euros. A Internazionale aceitou pagar para cada um dos atletas, entre eles o trio da seleção, a quantia de 600 mil euros (R$ 1,35 milhão) pelos três títulos da temporada. Pela Liga dos Campeões, a premiação foi de 300 mil euros (R$ 675 mil). Pelo Italiano, mais 200 mil euros (R$ 450 mil). E, pela Copa da Itália , 100 mil euros (R$ 225 mil).

Para a CBF, o valor de R$ 1 milhão para cada um do elenco, independentemente de sua participação nos jogos da Copa, e também para Dunga, totalizando R$ 24 milhões sem contar a recompensa rateada aos demais integrantes da delegação, pelos quais o treinador vai brigar, acaba sendo algo irrisório perto do que a entidade vai lucrar com a conquista na África do Sul .

Já era para ter sido dessa forma na Alemanha . Em 2006, quando o Brasil caiu diante da França nas quartas de final, o elenco de Carlos Alberto Parreira deixou de ganhar quantia parecida, mas levou para a casa prêmio de consolação de US$ 260 mil (R$ 468 mil). Agora, a CBF resolveu repetir a estratégia e dobrar o valor para a equipe fazer dois jogos a mais e passar a limpo o rascunho de quatro anos atrás.

GANHOS AUMENTAM

Dinheiro não é problema para a entidade. Ainda mais em ano de Copa do Mundo . Com seus dez patrocinadores, estima-se que a CBF contabilize arrecadação anual de R$ 220 milhões. E a conquista de mais um título só tornaria a seleção, de Dunga ou de quem vier no próximo ciclo, ainda mais atraente aos olhos de seus anunciantes. É negócio que rende. Dunga participará da discussão envolvendo o prêmio pela campanha na África. E não acredita que os jogadores criarão caso para aceitar a bolada nem que a CBF demore muito mais para bater o martelo no valor que já está definido.

"O que digo é que o combinado não é caro. A linha é essa. Todos nós já trabalhamos e temos nossos salários". Seu auxiliar, Jorginho, foi mais enfático. "Eles, os jogadores, não vêm para cá por causa do dinheiro. Começaremos a competição com isso já resolvido, passado pelo presidente". Dunga também não se furtou a comentar sobre o problema de premiação que sua geração, a de 1990, teve na Itália antes daquele Mundial.

Na ocasião, os jogadores até combinaram em esconder com a mão o nome do patrocinador na camisa do Brasil . O assunto vazou e caiu na boca popular. Foi também uma das poucas vezes em que o elenco esteve unido numa mesma causa. Também não eram tempos de salários astronômicos no futebol como hoje. "Éramos um grupo novo e o presidente (Ricardo Teixeira) estava chegando à CBF. Tivemos o problema, mas depois tudo foi resolvido claramente". É isso que ele quer agora. E antes de a bola rolar. (Robson Morelli - AE)


 
 



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