Copa do Mundo da iniciativa privada ruiu

Extraído de: jornaldelondrina.com.br   Janeiro 13, 2014

Brasil prometeu que maior parte do dinheiro destinado ao Mundial viria da iniciativa privada, mas apenas R$ 133,2 mi dos R$ 8 bi investidos nos estádios não saíram dos cofres públicos

30 de outubro de 2007. No dia em que o Brasil foi informado, com sete anos de antecedência, que seria sede da Copa do Mundo de 2014, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou com convicção: "tudo será bancado pela iniciativa privada. Está será a Copa da transparência".

Na mesma época, o ministro do Esporte, Orlando Silva, foi além na previsão. "Os estádios serão construídos com dinheiro privado. Não haverá um centavo de dinheiro público para eles", cravou o político, que quatro anos mais tarde, alvo de denúncias de gastos irregulares, acabou substituído por Aldo Rebelo.

Hoje, quando o calendário marca exatamente 150 dias para a abertura do Mundial (12 de junho), no encontro entre Brasil e Croácia no Itaquerão, os discursos acima entraram para o largo rol nacional de promessas descumpridas. Neste caso, com proporções gigantescas.

Dos R$ 8 bilhões investidos na construção e/ou reforma dos 12 estádios do campeonato, apenas R$ 133,2 milhões não envolvem os cofres públicos. O cálculo engloba incentivos fiscais, empréstimos e ainda a participação efetiva do governo como 'dono' de arenas - R$ 3,9 bilhões do montante, praticamente metade, está atrelado a financiamentos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em 2014, apenas três praças esportivas (Curitiba, Porto Alegre e São Paulo ) são privadas. Outras cinco (Belo Horizonte, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador) foram erguidas por meio de Parceria Público Privada (PPP).

Já Arena Amazônia, Arena Pantanal, Mané Garrincha e Maracanã, todos públicos, custarão R$ 3,7 bilhões. Ao todo, em comparação com a Matriz de Responsabilidades assinada em 2010, os estádios da Copa no Brasil encareceram 66% - de R$ 5,3 bilhões para R$ 8 bilhões. Juntos, os 22 palcos utilizados nos Mundiais de 2006, na Alemanha , e de 2010, na África do Sul , custaram menos: R$ 6,8 bilhões.

O custo global do Mundial também subiu de maneira exorbitante. A previsão inicial era de que o País despendesse cerca de R$ 17 bilhões para organizá-lo. Em junho passado, contudo, o Grupo Executivo da Copa do Mundo (Gecopa) atualizou o total de investimentos no principal torneio de futebol do mundo para R$ 28 bilhões, mas antevê acréscimo de outros R$ 5 bilhões até a bola rolar, totalizando R$ 33 bilhões. Dessa quantia, a União seria responsável por 85,5%, enquanto o setor privado arcaria com 14,5% - cerca de R$ 4,7 bilhões.

Em Curitiba, é difícil quantificar a participação privada relacionada à Copa. Além da Arena da Baixada, que terá um terço pago pelo Atlético, o secretário municipal, Reginaldo Cordeiro, cita que a prefeitura negocia com grandes empresas, como a Coca-Cola e a Ambev, para a realização de Fan Fests. Esses eventos, exigidos pela Fifa, exibem jogos e trazem atividades culturais, esportivas e shows para torcedores e turistas. Suas estruturas são temporárias e seriam pagas por empresas.
"Será a Copa das Copas", espera o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Nos gastos, certamente sim.

Autor: Antônio More/Arquivo Gazeta do Povo


 

 
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