Muricy é tricampeão brasileiro, Edmilson foi penta na Copa de 2002, Vágner Love de vez em quando é lembrado por Dunga e a perturbada torcida verde gritou até que Obina é melhor que Eto o. Mas, depois que a bola rolou no domingo (13) à tarde, o Vitória foi maior do que tudo isso junto e venceu o líder Palmeiras por 3x2, no Barradão.
Só se viu Berola, lá de Buerarema, via Itabuna, deixando palmeirenses e até rubro-negros malucos. Maurício, camisa 33 do Palmeiras e da idade de Cristo, até hoje está pagando os pecados de jogar pelo lado direito da defesa. Tomou cada drible que perdeu a paciência e, com 25 minutos de jogo, já jurava que ia bater no moleque do Vitória. Wendel tomou entre as pernas, o outro levou drible da vaca...
Mas Berola precisa aprender que, contra o líder, não pode vacilar. Chance de fazer gol é pra fazer. Ele recebeu livre, após erro palmeirense no tiro de meta. Em vez de chutar, quis driblar Marcos. Perdeu a chance de botar 2x0.
Uelliton já tinha feito o primeiro, de cabeça e meio sem querer. Marcos tirou de soco e a bola acertou em cheio a careca do camisa 7 do Vitória. De lá até as redes, 1x0. O Palmeiras perdeu Obina, machucado, mas não perdeu as duas chances que criou em todo o primeiro tempo. Excelência na bola aérea, bem ao estilo do técnico Muricy Ramalho. O gol de Vágner Love só não valeu porque estava impedido. Mas o do baiano Robert valeu, no vacilo de Apodi, que deixou Armero livre para colocar na cabeça. O empate no intervalo era castigo pro Leão, que sufocava o Palmeiras com o quarteto formado por Roger, Neto Berola, Leandro Domingues e a surpresa Ramon.
Cada falta cavada por Berola na ponta esquerda era uma bola venenosa que Ramon cruzava e, quase sempre, o adversário tirava no maior sufoco. Berola pediu pênalti no primeiro tempo e no segundo também, em lances duvidosos. Como o juiz não marcou, o jeito foi fazer de bola rolando. Leandro Domingues disparou na direta e cruzou; Berola errou a cabeçada, Roger tentou botar pra dentro e acabou devolvendo para o menino do Itabuna fazer o dele: 2x1.
E a bola venenosa de Ramon? Virou o terceiro gol, após cobrança de escanteio que Marcos se embananou todo para não tomar olímpico. Roger disputou com a zaga e o estreante Derlei empurrou. Alívio, jogo ganho?Nada.A família do baiano Robert estava no Barradão e ele fez o segundo. De cabeça e em mais uma falha de Fábio Ferreira.
Melhores contra os manos O Vitória protagonizou fato inédito no Brasileiro. Pela primeira vez, o Palmeiras de Muricy Ramalho, marcado pela eficiência defensiva, tomou três gols em uma partida. Antes, no máximo um gol. Em nove jogos, só seis gols.
O estreante Derlei ajudou a mudar isso. Entrou aos 33 do segundo tempo e deixou o primeiro dele com a camisa do Vitória, terceiro do jogo. Por sinal, um jogo de duelos interessantes. Muricy colocou o experiente Edmilson na cola de Ramon-e, bem marcado, o velhinho da Toca apareceu mais nos lances de bola parada e pouco com a bola rolando.
Mancini se preocupou em não vacilar com Vágner Love. Segurou Apodi e Leandrinho para reforçarem a defesa, mas foi o garoto Wallace quem se destacou no setor. Veloz, conseguiu chegar nas divididas sem necessidade de fazer falta no adversário. Problema foram as bolas cruzadas na área rubro-negra - isso sim, um problema para Mancini corrigir até sábado, contra o Inter, novamente no Barradão. Quando a bola vinha pelo alto, Vágner Love ou Robert se posicionavam entre os dois beques e subiam sozinhos. Por isso, Viáfara tomou dois.
Torcida bate recorde no BrasileiroO jogo contra o Palmeiras poderia ser apenas mais um. Não foi. Teve festa no Barradão, com o melhor público do Vitória no Brasileiro: 26.464 pessoas e renda de R$ 498.370. Onde andava o torcedor? Talvez desconfiado. Tinha encontrado limite na barreira dos 17 mil contra Santos e São Paulo. Disse- me-disse. Faltava dinheiro? Faltava confiança no time? Contra o Grêmio, apareceu o futebol, mesmo com o empate no Olímpico não tendo sido justo.
Na rodada seguinte, veio a visita do líder, rival de grandes combates inesquecíveis. Muita gente no bar do Juca, atrás das cabines de imprensa, alguma queixa dos sócios do Sou Mais Vitória, poucos em silêncio. Com cinco gols, não podia ser diferente. Ainda mais com o Vitória marcando primeiro e dominando. O Palmeiras veio sabendo o que iria encontrar. Tendo noção do que poderia acontecer. Quando o estádio se transforma em alçapão, fica menos difícil. E muito mais gostoso. "Pagou? Paguei", diz o rubro- negro, como todo torcedor deve sempre fazer. Sábado será dia de se mandar de novo. Tem Barradão. Contra o Inter.
VI-TÓ-RIAAAA Viáfara Tranquilo e pouco exigido
ApodiSubiu pouco
WallaceJoga certo e ainda conserta os erros do parceiro
Fábio Ferreira Cadê Reniê, do júnior?
LeandrinhoFez o feijão-com-arroz
VandersonPor que não arrisca o chute?
UellitonMarcou certo
Leandro DominguesApareceu no 2º gol. Pode mais
RamonUm perigo na bola parada
RogerLutou, mas não teve chance
Neto BerolaMeio craque, meio mascarado
Gil Povoou o meio
Carlos AlbertoPouco tempo de serviço
Derlei15 minutos em campo, um gol
Mancini valoriza os atletas, mas cobra atenção na defesaNa coletiva, o técnico Mancini lembrou da semana livre pra enfrentar o Palmeiras e elogiou o time. "Vínhamos jogando bem e por detalhes acabávamos sendo lesados no final... O adversário era forte e valorizou nossa vitória. Temos que enaltecer a luta dos atletas", disse, antes de alertar. "Sofremos dois gols de forma fácil demais".
Neto Berola vai bem de novo e agradece o carinho do públicoNeto Berola, 21 anos, veio do Itabuna, chegou quieto e, aos poucos, ganha espaço e importância. Já existe até flerte com a empresa Traffic. Ontem (13), depois de perder chance ao tentar driblar Marcos e pedir pênalti em outro lance, fez o gol do 2x1. "Fiquei chateado porque o Vitória podia não vencer o jogo. Agradeço o apoio da torcida".
Muricy perde e, pra variar, reclama de falta de jogadoresOs erros nos passes e as falhas da defesa não foram, para Muricy Ramalho, os fatores que determinaram a derrota para o Vitória. Segundo o treinador, a principal deficiência do time foram as ausências dos meio-campistas Diego Souza, suspenso, e Pierre, que se recupera de uma cirurgia e só deve voltar a atuar em 2010.
(Notícia publicada na edição impressa do dia 14/09/2009 do CORREIO)
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