Por causa dele, bandeiras do Brasil foram queimadas, o hino nacional recebeu uma constrangedora vaia e até ovos foram arremessados nos jogadores. Mas, de longe, Charles assistiu à ferocidade da torcida baiana contra a seleção e balançou a cabeça negativamente. Radicado em Itapetinga, no interior da Bahia, o ex-jogador lembra sem alegria de quando se transformou em pivô da insurgência do povo de Salvador. A história começou em 1988. Goleador do Bahia na campanha vitoriosa do Campeonato Brasileiro, ele foi pré-convocado por Sebastião Lazaroni para a Copa América. Dias antes, porém, foi cortado da relação. Bastou para a sede do grupo do Brasil transformar-se em um caldeirão contra.
Nos três jogos que disputou na Fonte Nova, o time de Lazaroni foi massacrado por vaias. No ponto crítico da reação, Renato Gaúcho recebeu um ovo na cabeça quando entrava em campo. Diante do panorama hostil, a CBF agiu e retirou o último jogo de Salvador e o levou para Recife (assista às imagens da trajetória do vídeo sobre a Copa América no vídeo acima). Assunto encerrado, mas não para Charles. Ele acha que a trajetória na seleção foi abreviada por causa do episódio.
- Sobrou para mim. Houve um exagero da torcida por causa da campanha feita pela imprensa da Bahia. Aquela raiva foi demais e me prejudicou. Não podiam ter rasgado bandeiras, atirado objetos. Fui o maior prejudicado -disse, por telefone.
A carreira terminou e atualmente, aos 41 anos, pensa em ingressar na carreira política. Mas enquanto a seleção visita novamente Salvador para enfrentar o Chile, nesta quarta-feira, prefere a tranquilidade da turística Porto Seguro, onde tira alguns dias de folga. De longe, assegura que o tratamento ao time de Dunga no estádio de Pituaçu será diferente:
- Com certeza haverá uma grande festa.
Digg
