"Decidimos criar o movimento após as experiências negativas que aconteceram com o evento em 2007. Vamos pressionar as autoridades para garantir benefícios para a cidade de forma democrática", declarou o médico Daniel Becker, colaborador da ONG Centro de Promoção da Saúde (Cedaps).
Ele é um dos articuladores do movimento, que deverá se reunir no próximo mês com os responsáveis pela campanha brasileira."Não vamos mais aceitar aquele descontrole e a falta de transparência do Pan. O único legado foi uma série de arenas, que foram privatizadas ou estão se deteriorando com o tempo", afirmou o médico.
"A partir de agora, queremos criar uma plataforma de compromisso, que inclui maior discussão nos gastos, uma definição de um legado social para a cidade, além de sustentabilidade ambiental."
Em 2005, professores e pesquisadores universitários criaram um órgão semelhante, o Comitê Social do Pan. Eles pretendiam fiscalizar as contas do evento e realizar passeatas para chamar a atenção da população para a "falta de transparência" do Pan.
Na prática, porém, o poder de intimidação do comitê era pequeno e foi praticamente ignorado pelos políticos e organizadores do evento continental.
"Sabemos que o Rio vai ganhar bilhões de dólares caso organize os Jogos Olímpicos e queremos assegurar que esses recursos também cheguem à população, que não fiquem restritos apenas aos interesses privados", acrescentou Daniel Becker.
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